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A seleção por duas cheetahs saudáveis

Marcio Pessôa, de Harare

O Zimbábue terá três dias úteis nesta semana devido aos feriados desta segunda e terça-feira que lembram os heróis da independência e as forças armadas. Dois eventos de efusivos discursos patrióticos no Estádio Nacional, local da goleada de 3 a 0 do Brasil contra a seleção local há quase dois meses.

O mesmo jogo é alvo de investigação devido ao suposto desvio de recursos por parte de representantes do setor de turismo e da Federação Zimbabueana de Futebol. Conforme o jornal local The Standard, os agentes brasileiros teriam pedido US$ 2 milhões e mais dois “King Cheetahs saudáveis”.

Eu li mil vezes para acreditar que estava escrito que os agentes da seleção teriam pedido duas cheetahs saudáveis como pagamento. Dois felinos selvagens em extinção incluídos em uma negociação para a apresentação da seleção brasileira. Isso deveria ser melhor explicado. Se estes animais realmente foram tirados daqui e foram parar no Brasil, para quê serviriam, qual o motivo de incluí-los em uma transação deste caráter?

Impacto econômico: lojas sul-africanas reduzem preço da camisa para queimar o estoque após fracasso na copa.

Nossa diplomata

Os termos da negociação são mais exóticos do que os próprios felinos e esclarecem bastante sobre o tipo de gerência da seleção brasileira. No final, a CBF teria recebido US$ 750 mil desta quantia e o ponto da investigação é onde foi parar o US$ 1,25 milhão restante. O dinheiro teria sido arrecadado por organizadores zimbabueanos junto a instituições privadas e ao governo. Tudo isso num país onde alguns funcionários públicos não recebem salários há dois anos e os que recebem vivem, em média, com 150 dólares por mês.

Entretando, nas ruas de Harare, até mesmo nas zonas rurais, o fato de os “samba boys” terem jogado no Zimbábue, mesmo com estes bastidores nebulosos, parece ter sido a realização de um sonho em massa. Esse capital social enriquece ainda mais o futebol brasileiro. O africano se identifica demais com a seleção, talvez pelo fato de suas principais estrelas serem negras e pelo estilo de jogo, historicamente alegre como as manifestações culturais africanas.

Amigos inseparáveis: Mr. Mavhiki, meu anfitrião em Harare, e a camisa da seleção brasileira

Na viagem a Kwekwe, a 300 km da capital zimbabueana, paramos em um hotel simples para fazer uma refeição. Fui até o bar do estabelecimetno, onde seis homens com suas cervejas permaneciam escorados no balcão em postura não muito amistosa. Perguntaram-me de onde sou e, quando disse que era brasileiro, a atmosfera mudou. Todos se referiam ao Brasil com muito respeito e carinho. A impressão que tive é que pouco sabiam sobre o Brasil até o dia em que a seleção motivou matérias na mídia local.

Apelo internacional

Quanto mais tempo passo fora do meu país, mais amadurece a idéia de que a seleção brasileira não pertence somente ao Brasil. O futebol enquanto inegável patrimônio cultural da humanidade (ainda não reconhecido oficialente) nos permite dizer que a camisa canarinho tem hoje uma expressão capaz de estabelecer diálogo entre raças e credos por ser o maior ícone deste esporte no mundo.

O desfile de cores e camisetas da seleção brasileira pelas regiões mais pobres e esquecidas do mundo não pode ser ignorado, assim como também deve ser considerado o fato de as cores do Brasil serem sinônimo de alegria e alto astral nas mais frias cidades da Europa.

Agora com bandeirinha sul-africana: não deformam, não soltam as tiras e não têm cheiro

A amarelinha já é a nossa maior diplomata. É claro que é brasileira, mas virou patrimônio da humanidade. O signo “seleção brasileira” faz com que o brasileiro seja aceito e bem recebido em qualquer parte do mundo. Por isso, aos meus olhos, cobrar US$ 2 milhões de dólares por um amistoso em um país na situação do Zimbábue é bastante discutível. E, como se não bastasse, ainda pedir exemplares de animais em extinção para negociar uma apresentação da seleção é inaceitável. É ignorar o que a seleção brasileira representa mundo a fora.

Abaixo imagens de uma King Cheetah em um zoológico na Austrália. A espécie é originária do Zimbábue e teria população de apenas 60 a 80 exemplares no mundo.

Abaixo os gols da partida e o gesto ainda não explicado de Michel Bastos após o gol.

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Copa 2010: Está em boas mãos

Eu vejo uma contradição em um critério, inclusive dito pelo próprio comandante Dunga: “seleção é o melhor momento de cada jogador”. Porém, acho que esta contradição ficou pequena diante da justificativa gigante dada por Dunga para escolher os jogadores que irão para a África do Sul.

Pelo menos quatro convocados não estão no seu melhor momento. Grafite, Júlio Batista, Felipe Melo e Ramires. Além disso, mostrando convicção, Dunga polemizou com as ausências dos chamados “meninos da vila”, de Ronaldinho, de Adriano e do goleiro Victor (duas vezes melhor goleiro do Brasil).

O comandante da seleção não respeitou o critério “melhor momento” porque priorizou em alguns casos o critério “comprometimento”. Essa justificativa me dá a certeza de que a equipe vai jogar a Copa do Mundo para ganhar realmente. Vai ser um time competitivo com quem quer que seja e, acima de tudo, não vai envergonhar o Brasil.

Palavra-chave

Comprometimento é chave para o sucesso de qualquer equipe de trabalho em qualquer setor e é um componente importante para o time de Dunga. É o algo mais. Não basta ter nome, tradição e ter os melhores. É preciso ter entrega para qualquer desafio. Todos os convocados já haviam sido chamados anteriormente e mostraram comprometimento, de acordo com Dunga.

Nas seleções mais displicentes brasileiras, aí coloco a que passou pela Alemanha em 2006, o que faltou foi justamente isso, comprometimento com a trajetória do Brasil. Todos estavam comprometidos com a sua imagem, com seus euros e com o samba. Achavam que iriam ganhar no nome, na bela imagem do trabalho de 2002, na alegria ou na magia.

O resultado foi vergonhoso. A equipe até tinha vários jogadores-chave, Ronaldinho, Fenômeno, Roberto Carlos, Robinho, Kaká. Porém o foco estava errado. Era espetáculo e samba, como em 1982. Com a ressalva de que em 1982, o time brasileiro não envergonhou o Brasil. Tinha pouca arrogância e muito caráter.

Difícil de ser batido

Eu tenho a tese de que a seleção brasileira tem tudo para ganhar todos mundiais se tiver disciplina e comprometimento. Se tiver pelo menos isso, vai ganhar como em 1994, com um futebol feinho, mas competitivo. Talvez dependendo de um gênio para colocar a bola para dentro em momentos cruciais.

Se tiver disciplina, comprometimento e talento em diversas posições, vai dar espetáculo. Porém, um espetáculo vencedor.

O problema nesta edição de 2010, é que não surgiram gênios nestes últimos três anos para justificar uma convocação criteriosa. Foram convocados grandes jogadores, com perfil de extrema consciência tática. Há sim talento ofensivo com Kaká e Robinho e faro de gol com Nilmar e Luís Fabiano. Isso pode suprir a carência do “gênio”.

Neutralizar o samba em excesso

Note que a religiosidade de Kaká e o profissionalismo de Nilmar e Fabiano podem sim neutralizar a molecagem às vezes displicente de Robinho. Mais um ponto para Dunga.

Então, conte comigo, a seleção tem disciplina. O treinador tem comando pela sua coerência principalmente durante a convocação. O time tem jogadores com perfil vencedor com a seleção – campeão das copas América e Confederações. E a equipe é inegavelmente competitiva.

Dunga foi coerente e lógico. Porém, apenas em um fator é bastante criticável. Ele aposta que o comprometimento pode recuperar os jogadores que não estão em seu melhor momento neste último mês antes da copa. Isto é uma visão da comissão técnica e deverá ser provada.

Acho que é possível, mas não é certo. Para jogadores “velhos” como Júlio Batista, por exemplo, que talvez tenha chegado à decadência natural do jogador que começa a sentir que o rendimento físico não é mais o mesmo.

Vão espernear até o fim

Claro que a imprensa carioca e paulista vai chorar até o final da Copa do Mundo o fato de Ganso, por exemplo, não estar na lista. Vimos este episódio em 2002 com o Felipão quase sendo linchado na sede da CBF pela não convocação de Romário. Porém há de se considerar que o menino da vila nunca foi convocado. Isto é um critério para ir para o Mundial, segundo Dunga.

Claro que o Ronaldinho não fará falta. Há muito, trata-se de um gênio que não consegue mais executar o que pensa, sequelado pelo “samba” em excesso. Ele não é mais o exuberante Ronaldinho que mereceu a convocação de 2002. Não rende e não consegue mais chegar aquele nível. Tanto para Ronaldinho quanto para Ganso, a suplência ficou de bom tamanho.

Não falo em 2006 porque ele já não fez a diferença nem na seleção nem no Barcelona em momentos cruciais. Por isso, o atual Ronaldinho do Milan não fará falta. Aquele do Grêmio, do PSG e dos primeiros anos de Barcelona, faz. Adriano não vai para a copa porque não quer, não se comprometeu. Foi atrapalhado pela vida que escolheu. E Victor foi vítima da falta de atuações com a camisa da seleção e, para mim, não está também no seu melhor momento.

Escola Felipão

Não comparo Dunga com Felipão, mesmo sendo farinhas do mesmo saco, terem a mesma escola de comando. Dunga, apesar do português catastrófico, como o de muitos outros brasileiros, expôs na coletiva à imprensa, de forma clara, o que motivou sua escolha e transmitiu segurança.

Fica pra mim, como jornalista, o desabafo de Jorginho (o sujeito mais elegante na equipe) em um tom que, acredito, dificilmente vimos e teremos a oportunidade de ver novamente: “essa é a seleção brasileira, é o nosso país é a nossa pátria”, esbravejou o assistente-técnico da seleção. Se fosse sem noção como Maradona ainda mandaria um “carajo” no final da frase.

Para mim, essa é a cara da seleção de Dunga. Uma seleção de sangue quente, competitiva, com o comprometimento de quem vai representar o país no exterior. Isso pode fazer a diferença. Profissionalismo com amor a camiseta. Tudo isso faltou em 1986, 1990 e 2006. Porém, é tudo o que Dunga sempre simbolizou.

Confira os escolhidos com imagens da SPORTV:

Talvez um cartelzinho amigo, um protecionismozinho… Afinal, eu te dou a vida!

Eu não tenho dúvidas de que o futebol brasileiro é um dos exemplos de má gestão que, ao longo dos anos, têm sido apresentados pelo nosso país ao mundo em setores que ironicamente o Brasil tem potencial de liderança. Qualquer brasileiro que conseguiu completar o ensino médio sabe que nos negamos a dar as cartas e sermos protagonistas em vários momentos de nossa história.

Temos os melhores jogadores, talvez o campeonato mais disputado do planeta, diversidades continentais valiosíssimas que influenciam na cultura das equipes, torcedores apaixonados e participativos e cidades que respiram futebol. Em resumo, somos os maiores nesta indústria milionária em quase todos os quesitos, porém falhamos ao gerenciá-la.

Ai! Cuidado, cuidado com o empresário

Ai! Cuidado, cuidado com o empresário

Quem conseguir, responda a seguinte pergunta: como um jogador é comprado por 3 milhões de euros de um clube brasileiro e revendido na Europa por atravessadores, 6 meses depois, por 20 milhões? Não vou afirmar que existe um “esquemão” que favoreça setores indiferentes à torcidas e aos clubes no Brasil, mas que esta lógica é um bocado estranha… Ah, isso é inegável.

MC´s do espetáculo

Uma das grandes falhas que o consumidor do futebol brasileiro comete é não se perguntar por que o país que mais forma talentos no planeta tem clubes tão ricos em tradição e frágeis financeiramente. É uma realidade tão difícil de engolir que é impossível não desconfiar daquela falha moral que é de praxe no Brasil e que, como o futebol, dá-nos fama internacional. Veja, não estou acusando ninguém de corrupção.

Para provar que existe corrupção na estrutura do futebol brasileiro, seria necessária uma cultura de investigação no chamado “jornalismo esportivo”, uma vez que muitas autoridades são conselheiras de clubes. O profissional de comunicação social que trabalha com esporte no Brasil, em geral, nega-se a investigar pelo medo de se indispor com dirigentes dos clubes e da empresa que trabalha.

Clubes brasileiros são jogados para escanteio na Europa

Clubes brasileiros são jogados para escanteio na Europa

Por isso, para mim, jornalismo esportivo tem um conceito próprio que se distancia um pouco da essência do jornalismo. É um “quase lá” que precisa de um pouco mais de coragem para abandonar o “doutorismo” e encarar empresários e dirigentes de frente. O jornalista esportivo é um profissional de comunicação social que poderia colaborar mais para a sua comunidade em detrimento daquele furinho esperto dado por aquela fonte de conduta duvidosa e alguns milhares de dólares no bolso.

Eu te dou a vida

Falta dinheiro para os clubes, mas há dinheiro em excesso perdido em várias mãos que movem este setor. E o torcedor nas arquibancadas repete: “eu te dou a vida, tu é a alegria do meu coração” em um mantra torpe, quase estúpido, do sujeito alheio aos bastidores da sua paixão. É o marido ou a esposa que faz vista grossa ao perfume e a maquiagem alheia perdida na blusa do seu grande amor.

Qualquer país da Europa Ocidental que tivesse o potencial brasileiro para este esporte já teria se protegido e vendido melhor o seu peixe. Aliás, eles já fazem isso com o pouco que têm. Não consigo admitir que além de sermos privados de ver os nossos craques no país por mais de uma temporada (quando chega a isso) ainda os vendemos mal.

Um chinês há pouco tempo me disse com todas as letras onde este rapaz se formou

Um chinês há pouco tempo me disse com todas as letras onde este rapaz se formou

Muito se fala que os times preparam jogadores durante anos em suas categorias de base e os vendem por 2 milhões de euros para atravessadores descompromissados que os revendem por muito mais. Multas rescisórias têm garantido que alguns clubes consigam repor craques e ter bons resultados em certames, mas é preciso ter habilidade e projeto de gerência para tanto, coisa rara.

Em defesa do cartel

Não condeno quem defende uma reestruturação na marra, quase inspirada na lógica do cartel neste setor. Se os clubes brasileiros se organizassem, não conseguiriam evitar a evasão dos nossos talentos, mas poderiam chegar a cifras que o Porto, por exemplo, chega ao vender jogadores brasileiros para Manchester e outas equipes da Europa. Benfica e Porto hoje estão no rol dos clubes que rotulo como “atravessadores” nas vendas do Brasil para a Europa.

Estes clubes portugueses têm servido como uma espécie de incubadora para que empresários façam os jogadores brasileiros ganharem preço no mercado europeu. Neste esquema, o jogador realiza o seu sonho de atuar na Europa – onde a lógica de marketing, de capital e protecionismo faz com que campeonatos muitas vezes desinteressantes, sem emoção e sal, superem a audiência de certames tão ou mais tradicionais.

Um dos exemplos recentes da lógica moderna dos “clubes atravessadores” foi a transação envolvendo Ânderson, ex-jogador do Grêmio e agora no Manchester United. Ele foi vendido pelo clube gaúcho por 5 milhões de euros para o grupo português Gestifute, que adquiriu 70% do seu passe e o colocou no Porto. Foi vendido para o clube inglês por 25 milhões de euros em 2007.

Distorção

Ânderson valorizou 5 vezes mais por atuar em um país cujo campeonato é disputado por duas únicas equipes e o resto é coadjuvante. O ex-jogador gremista ingressou na lógica do mercado protecionista europeu. Protecionista, sim. Nenhum canal aberto europeu compra os direitos de campeonatos de outros continentes. Os europeus valorizam e investem no marketing do seu futebol, dos seus clubes, apesar de contarem com estrelas de fora da Europa.

Na ocasião da transação com o Manchester, o Porto fez questão de responder às acusações da imprensa inglesa de que não houve intermediários na negociação. Difícil acreditar, uma vez que muita gente colocou dinheiro no negócio desde o início da transação com o Grêmio. Vale lembrar que o presidente do Porto, Pinto da Costa, é bastante conhecido por acusações pesadas de corrupção no futebol. Por outro lado, também é sui generis na habilidade de se defender.

Maracanã: o templo do futebol mundial não impressionaria... claro que não.

Maracanã: o templo do futebol mundial não impressionaria... claro que não.

Grupos de investidores, empresários de outros setores em Portugal, nomeadamente construção civil, descobriram o “excelente negócio” de atravessar transações futebolísticas. Pega-se a matéria-prima brasileira, dá-se um banho de marketing em território lusitano e se ganha o triplo da quantia investida com os compradores da Inglaterra, Espanha e Itália.

Todo mundo acaba feliz

Brasileiros de infância humilde chegam como salvadores em clubes europeus. São super-heróis e cidadãos públicos privilegiados. Pessoas, cujos familiares integraram a massa dos “brasileiros esquecidos”, adquirem prestígio, dinheiro e influência no planeta. Por vezes, são os donos da bola em seus times. Ficam embasbacados com os ares do chamado Primeiro Mundo, a fama na Europa, as festas e o trabalho até os 30.

Em cada elo dessa corrente, ganha-se. E muito. Só os clubes brasileiros e suas torcidas perdem. Eu não quero fechar mais o foco nas estruturas diretivas dos clubes porque aí poderíamos ver muita gente com a mãozinha molhada e seria necessária boa investigação (item básico do jornalismo que, como disse, ainda espero da chamada “crônica esportiva”).

E os empresários ou representantes? Ah, esses aí ficam alucinados. Uma coisa é você ganhar uma comissãozinha em uma transação de 100 mil reais, como qualquer corretor de imóveis. A outra é uma participação em um negócio de 3 milhões de dólares, com vários nós e possibilidades de lucros futuros.

Mano a mano

O peso da grife das equipes européias torna às vezes o preço do jogador até 10 vezes maior. A questão é saber como equipes européias tão tradicionais ou menos que as brasileiras e argentinas conseguem ter mais peso neste jogo de cena do futebol. Alguém desconfia da importância de um Grêmio, de um Santos, de um Flamengo, de um São Paulo no futebol internacional? Sim, somente seus rivais.

Espanha: lá todo mundo sabe que pode dar um ou pode dar o outro

Espanha: lá todo mundo sabe que pode dar um ou pode dar o outro

Nos confrontos diretos entre Europa e América do Sul no Mundial Interclubes, única forma de colocar as equipes mundiais frente à frente para medir forças, há 25 vitórias para a América do Sul e 23 para a Europa. Isso diz muita coisa. São os confrontos entre os melhores clubes da Europa contra os melhores da América. Os europeus costumam dizer que não dão valor à competição.

A choradeira dos jogadores do Barça, fregueses do futebol brasileiro; dos jogadores do Liverpool, do Milan, a cada mundial perdido para clubes brasileiros, mostra que isso é uma conversa fiada. E torna óbvio que, pelo menos, a postura dos jogadores é diferente da idéia defendida pelos clubes europeus. Mas eles estão no “direito de exercer o seu protecionismo”. Não querem desvalorizar o seu futebol por isso desvalorizam o confronto direto.

Cinco estrelas de lata à incompetência

Alguém acredita que se os jogadores brasileiros realmente fossem vendidos na realidade de preços das transações européias os clubes da Europa virariam as costas para o mercado brasileiro? Alguém acredita que eles realmente deixariam de se interessar pela melhor escola do futebol do mundo, pelos maiores formadores de talentos do planeta, caso os preços fossem justos?

Não, isso aí não é gol de primeiro mundo

Então, qual é o medo do futebol brasileiro? O que o trava? Por que não fazer a reforma interna que todos desejam? Tornar os campeonatos brasileiros acima de qualquer suspeita, oferecendo-lhes o mesmo valor da seleção – respeitada em todo o mundo; acabar com a influência bizarra de empresários e cartolas incrustados nos corações dos clubes e das federações; criar calendários decentes; renovação de gestores nas federações e confederações; fortalecer clubes em seus diversos níveis; estabelecer quotas democráticas de imagem e televisionamento; descentralizar a mídia esportiva para acabar com favorecimento mercadológico de Rio e São Paulo, são alguma das medidas urgentes.

Não se pode evitar que os jogadores sigam sua vida na Europa com a liberdade que merecem. Mas a lógica do comércio no setor tem que mudar. Talvez resolvendo problemas morais nas estruturas dos clubes poderemos vender o nosso campeonato, difundir a modalidade – que faz parte da nossa cultura – e dar ao futebol brasileiro o status e a credibilidade que merece. Ou isso não é possível?

Na minha opinião uma das maiores afirmações dos clubes brasileiros sobre os europeus