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O lado incompetente do 11 de Setembro

Os efeitos do 11 de Setembro ainda afetam o mundo e os Estados Unidos em diversas áreas. Economia, política, cultura, tecnologia, mídia…Enfim, teóricos discorrem sobre o impacto dos ataques da Al-Qaeda na nova ordem mundial.

Mas, em termos de gestão de crise, os efeitos do 11 de Setembro, dez anos depois, deixam cada vez mais claro o show de equívocos dos oito anos de administração Bush. O seu sucessor Barack Obama até tenta corrigir alguns erros, mas é demasiadamente lento. Vale considerar que Obama é amarrado pelo “presente grego” que é a herença econômica deixada por Bush.

Muitos oposicionistas sugerem que Bush usou a máquina estatal para perseguir Saddam Husseim, tentando satisfazer interesses ainda nebulosos, provavelmente privados. Sem aquele apoio entusiasmado europeu, Obama vai promover a retirada do Afeganistão com um gosto amargo, porém com um troféu importante para o orgulho norte-americano: a cabeça de Osama Bin Laden, sacada aos 45 minutos do segundo tempo.

Liberdade duradoura?

Porém, convenhamos, a cabeça de Bin Laden não vale nada diante do objetivo inicial da campanha que era acabar com um “estado terrorista”. A tal “liberdade duradoura” será bem curta. Quem duvida que o Afeganistão está ameaçado de voltar às mãos do Taliban quando a aliança internacional deixar o território? Se isso acontecer, a idéia de um “Estado Terrorista” voltará com bastante força.

A democracia no Afeganistão é tão frágil quanto a legimitdade de Hamid Karzai, que fraudou as últimas eleições do país chanceladas pela ONU. Veja como a gestão do 11 de Setembro foi desastrosa e ultrapassou as fronterias dos EUA. A ONU que o diga. Foi atropelada por Bush na invasão do Iraque e, depois de Bush, foi conivente com a “fraude democrática” no Afeganistão.

Quando suas tropas saírem do Afeganistão, o Ocidente terá a nítida sensação de que perdera muito dinheiro e muita gente por nada. Um dinheiro que fez muita falta na crise do Lehman Brothers, na ajuda humanitária para os países pobres e no suporte da crise das dívidas dos estados europeus mais frágeis, que agora se vêem obrigados a se vender para o setor privado dos países mais robustos.

A OTAN e sua esquizofrenia

Nestes últimos dez anos, até mesmo os próprios aliados históricos dos Estados Unidos vacilaram ao comprar os conflitos propostos por Bush. Eis mais um efeito desastroso da gestão da “crise 11 de Setembro”: a confusão entre os aliados norte-americanos. Todos se abraçaram na “Guerra contra o Terror”, mas nem todos invadiram o Iraque. Criticados pelas suas sociedades, alguns Estados da OTAN decidiram iniciar retirada do Afeganistão antes mesmo de seus pares a planejarem.

Mais uma vez, a própria Aliança Atlântica entrou em um processo de desgaste, buscando novos rumos para garantir a sua própria existência. Um dos efeitos destes dez anos são os questionamentos sobre o peso desproporcional norte-americano nas decisões da OTAN. Nesta convulsão ocidental, Bush precisou dos aliados dos EUA para seus investimentso bélicos, mas nunca cedeu quando o seu modelo de gestão da crise foi questionado.

O Mundo foi sacudido pela Al-Qaeda e pelo orgulho ferido norte-americano. Os atores deste conflito podem até ter mudado o mundo, mas até que ponto o 11 de Setembro mudou os seus protagonistas? O “mundo mudado” ainda espera muito mais de seus atores hegemônicos abalados, que continuam sustentando amargamente a mesma lógica de guerras culturais, religiosas e econômicas de dez anos atrás.

Abaixo um vídeo que pode registrar muito bem a péssima gestão de crise norte-americana após os ataques da Al-Qaeda.

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Amargo, salgado…

Eu ia me debruçar sobre o tema Lampedusa. Aquela que poderia ser rotulada atualmente como “ilha da vergonha”. Que traz incômodo à União Européia (UE) e um desgaste pouco acusado por Sílvio Berlusconi. Centenas de refugiados de diversos tipos de mazelas atravessam o Mediterrâneo do jeito que podem para chegar à Europa e a primeira ou única parada é Lampedusa.

Na ilha italiana, estas pessoas são recebidas pelas forças de segurança, cadastradas e concentradas em acampamentos, como prisioneiros, em péssimas condições de habitação, segundo inspetores da UE. Lampedusa seria o “Calcanhar de Aquiles” de qualquer governo europeu, mas não de Berlusconi. Por quê?

Desde que foi criado o “campo de prisioneiros” ou “campo de refugiados”, a ilha perdeu em turismo e em humor, haja vista o histórico 24 de Janeiro, data da revolta urbana mais recente da Itália. O mesmo país que exige do Brasil a extradição de Cesare Batistti – acusado de ter matado quatro pessoas e de paticipação em diversos atentados terroristas.

Refugiados aguardam destino em Lampedusa

Refugiados aguardam destino em Lampedusa

Não tomo o partido do Brasil neste debate mal-feito, azedo por ideologia barata, mas estamos diante da velha história do “telhado de vidro”. Como exigir de outros países preocupação e respeito aos direitos humanos e ao direito internacional, se não se faz o dever de casa? Daqui a alguns anos, alguém tem que pedir também a “extradição” de Berlusconi por permitir e incentivar que violações ocorram em Lampedusa.

Mas o mundo atual pensa que só Guantânamo merece condenação porque, afinal de contas, Bush não está mais no governo dos EUA e Cuba, desde a queda do muro, só se presta para isto mesmo. Ou não?

Mas, como disse, não vou abordar o tema Lampedusa agora. Vou aprofundá-lo em outra ocasião. Assim como falaremos em outra oportunidade também do G20 da “ixxxperrrrta ” foto de Berlusconi, Obama e Medvedev (http://blogs.abcnews.com/politicalradar/2009/04/daily-photo-oba.html); da conferêcia da OTAN com o Taliban, a Al Qaeda e mais dinheiro para a Guerra em foco… Sinceramente, tudo isso pode esperar.

L'Aquila tem 60 mil habitantes

L'Aquila tem 60 mil habitantes

Hoje, apesar de Berlusconi, eu olho para a Itália com profundo respeito e consternação. Em Julho do ano passado estive a 50 km do epicentro dos terremotos que ainda ameaçam a região. Uma terra apaixonante, com relíquias fabulosas da humanidade, com gente parecida com a gente brasileira em espírito, humor e intensidade.

Uma terra que teve a sua felicidade soterrada por escombros nesta semana. São quase 280 mortos. Sinto pelas vidas que se foram, pelas perdas históricas e pela tristeza que toma conta de um país acostumado a ser efusivo. Nesta semana, este espaço deixa a acidez e ironia habituais de lado e ganha um pouco do salgado gosto das lágrimas que banham Lampedusa e o centro da Itália.

L'L'Aquila antes...

L'Aquila antes...


L’Aquila depois…