Arquivo da tag: blogdopessoa

Ego trip revolution

I have decided to open another blog since I noticed two different types of readers during last months. Many people would like to know more about my personal experience here in Europe, and sometimes in Africa. Other people, on the other hand, would rather know my opinion about Geopolitical issues.

That is why I start a new blog that only touches upon Ego-trips. If you would like to know more about my experience, my point of view concerning places where I have been as well as my contacts with interesting people that I have met, please visit www.egotriprevolution.wordpress.com. This blog will be written in English, but I am open for changes, if you as a reader think that I should make it in Portuguese.

If you want to know more about critical issues in the political agenda, international relations with an African emphasis, go for http://www.blogdopessoa.wordpress.com. There is lack of qualified information about Africa in Brazilian Portuguese. As well as, the quantity of debatable measures towards Africa that Brazil does inside its own territory and abroad justifies why http://www.blogdopessoa.wordpress.com will be written in Portuguese.

Yes…maybe you ask yourself how I will have time to maintain two blogs. I don’t even know that. However, this is a good way to respond to people that demand different kind of information from me, concerning to my career and my life nowadays. I hope you enjoy it. If you have some suggestion, please feel free to talk to me. Everything can be changed.

The www.egotriprevolution.wordpress.com will be online in July.

Anúncios

Não dá para esquecer

A minha chegada em Harare foi muito tranquila. Não houve qualquer revista na entrada do país. A única coisa que me deixou bastante chateado foi o fato de, mesmo tendo um visto válido até janeiro de 2011, ter que me apresentar no escritório da migração no próximo dia 15 para retirar uma renovação do visto. Provavelmente terei que pagar mais uma taxa pela renovação, talvez os mesmos 30 dólares que eles cobram para o estrangeiro que chega no país sem visto.

Chegando na área rural de Kwe-kwe para a discussão sobre a constituição do país com a comunidade

Em outras palavras a minha expectativa é terminar esta burocracia de entrada no país com um prejuízo de 50 euros. Antes da viagem, paguei 90 euros à embaixada zimbabueana em Berlim pelo visto de múltiplas entradas no país. Eles não aceitaram me conceder este tipo de visto, ficaram com meu dinheiro e me deram direito a dupla entrada, que custa 70 euros. Poderia ter pago 30 dólares no aeroporto e me sentiria menos roubado.

Harare é uma cidade que vive às escuras. Não há iluminação pública constante. No local que estou morando, na área norte da cidade, os postes existem, mas não funcionam. Semáforos parecem funcionar em regime de racionamento, revezando o abastecimento pelas diferentes áreas ao longo das semanas, assim como o fornecimento de energia elétrica às residências. Uma cidade com 3 milhões de habitantes, com pavimentação apenas na região central. Isto é Harare – que significa em shona (Ele não dorme). Pode não dormir, mas não é por luz em excesso.

Visitando residência com líderes comunitários

Massacre dos anos 1980

Após cinco dias em Kwe-kwe, a 300 km de Harare, participanado do processo de debate da nova constituição do país junto a comunidades rurais, fui um pouco mais adiante em direção à fronteira com Botswana para conhecer Bulawayo, que é a segunda maior cidade do Zimbábue, a 500km ao sul de Harare. É uma cidade de muita história. A etnia ndebele é, digamos assim, “irmã” dos zulus sul-africanos. Atualmente é a segunda etnia que compõe o povo zimbabueano. No final do século XIX, ndebeles invadiram e mataram os shona que viviam na região. Mais tarde, após a independência reconhecida pelo mundo ocidental, em 1980, após a ascenção do atual presidente ao poder, ocorreu o massacre de 40 mil ndebele na região porque as lideranças da área queriam se separar do Zimbábue. Os shona são a grande maioria hoje no Zimbábue.

Bulawayo é uma cidade mais bonita, sem os congestionamentos de Harare, com um povo acolhedor, mas, ainda assim, às escuras. Não tem os prédios altos da região central da capital zimbabueana, mas há prédios coloniais bastante marcantes. Sofre da mesma mazela econômica e a criminalidade na região é assustadora, assim como em Harare. Fiquei dois dias na cidade, pagando 25 dólares por um quarto de hotel sem chuveiro quente após terem me prometido este item de conforto. Tentaram me compensar oferecendo banheiras que pareciam ter sido limpas pela última vez na década de 1970.

Almoço na área rural de Kwe-kwe

Isso não chega a ser um problema porque o banho frio faz parte da minha vida aqui no Zimbábue. No inverno, o zimbabueano toma seu banho gelado, mantendo a boca fechada para não pegar cólera. Quando falta luz pela manhã e à noite, como aconteceu toda esta semana que passou, o banho é de balde. Não me incomoda e, para eles, isso faz parte do cotidiano. Além do mais, nem sempre faz tanto frio como agora, quando a temperatura está entre os 7 e15 graus.

A homenagem da vida

Estou na casa de Mr. Mavhiki e de sua filha Rose. Uma residência bastante simples, mas com pessoas maravilhosas, especiais mesmo. Neste domingo, fizeram uma festa em minha homenagem, que, eu confesso, nunca tive igual. Foram cerca de 20 pessoas da família que se reuniram para celebrar a minha presença com direito a discursos emocionados e tudo.

Sempre lembrando Ruvimbo, os familiares me davam as boas-vindas e se colocavam à disposição para me ajudar, deixando contatos telefônicos e endereços. Mr. Mavihki estava adorando a quantidade de cerveja no freezer. “Marcio, você está feliz?”, ele me perguntava. Quando eu respondia que estava, ele dizia: “se você está feliz, eu também estou feliz!”.

Ao fundo, de boné branco, Mrs. Elizabeth Musonga. Ganhei a camisa que estou vestindo. Este é o início da festa. Mais tarde, chegariam mais convidados amontoados em uma caminhonete. Dançamos ao som de músicas locais das 14h até às 23h. Uh, festerê!

A idéia era fazer uma festa surpresa, mas, devido a minha viagem para Bulawayo, tiveram que me contar sobre o evento para que eu realmente não marcasse nada para domingo. Porém, eles me surpreenderam de qualquer forma pela comida, pelas danças e pela alegria. Eu realmente me apeguei a todos e, com muito respeito, levo mais esta lembrança desta jornada longe do meu país. A energia que recebi e a força de todos ali são coisas que nunca mais vou esquecer e vou levar certamente para o resto dos meus dias.

Copa 2010: A revolta dos titãs

Não dá para dizer que os alemães estão com medo, mas eu diria que estão divididos entre o nervosismo e o pensamento realista. No meu contato com as pessoas, percebo que muitos acreditam que não passam da Argentina. Outros pensam que vão ser campeões porque venceram a rival Inglaterra com superioridade.

Comentei os jogos de sábado e domingo pela Deutsche Welle e vi que a Argentina apresentou por um momento um futebol mais dentro da sua realidade das eliminatórias no enfrentamento contra o México porque, afinal de contas, jogou contra uma equipe que está um pouco acima do nível das demais do seu grupo na primeira fase.

O México jogava concentrado, até melhor que os argentinos na primeira metade do primeiro tempo. Levou o gol e acusou o golpe. Era evidente que os mexicanos jogavam no limite da atenção e do rendimento até o primeiro gol, e tinham que fazer isso porque sabiam que se desconcentrassem, perderiam o jogo.

“La mano de Dios” segura a do bandeirinha

A única coisa que os mexicanos não contavam é que o juizão iria dar uma ajuda para a Argentina. Isso derrubou a todos dentro de campo e fez crescer a Argentina que não estava com a partida sob controle. Foi como aconteceu com o Brasil contra o Chile. Os chilenos jogavam também no limite, porém o gol de Juan desmontou a equipe e o Brasil cresceu, resolveu jogar.

Quanto a Alemanha, é claro que o jogo seria outro se o gol de Lampard fosse validado. Alemanha fez dois gols no contra-ataque no segundo tempo. Se o jogo estivesse empatado, os ingleses não iriam pra cima deixando espaço para o mortal contra-ataque alemão. Nessa bagunça, ainda tem o gol de David Villa contra Portugal, que também estava em posição irregular.

A gente pode dizer que os deuses do futebol usaram estas oitavas de final para dois recados, ambos apelando por mais justiça. Primeiro aos alemães que tiveram a chance de serem compensados por 1966 (embora eu acredite que não levam o título que perderam na ocasião). Segundo, porque multiplicaram-se evidências de que é necessário mudar algo na fiscalização de impedimentos e lances de gol.

Romantismo com o dos outros é emocionante

Sep Blatter diz que o jogo iria parar demais com a tecnologia sendo empregada para ver impedimentos e analisar se bolas realmente entraram. Porém, há como o jogo continuar no seu ritmo normal. Em lances de gols ilegais por exemplo, o juiz poderia receber avisos de auxiliares fora do campo que poderiam monitorar o lance.

Esse processo não demoraria mais tempo do que o usado para tirar a bola do fundo das redes e colocá-la novamente no centro do gramado. Aliás, seria mais rápido do que quatro anos de preparação para o Mundial, que, para algumas federações, é custosa e quase impossível de ser feita com qualidade. O único que ganha com erros de arbitragem deste porte é quem apostou na equipe beneficiada, que vai ganhar, apostar novamente e beneficiar as máfias de apostas. Exagero?

Em 2008, o jornalista canadense Declan Hill, evidenciou no livro „Como manipular uma partida de futebol“, que tanto jogos pequenos da segunda divisão da Finlândia, como jogos de copa podem ser manipulados por máfias asiáticas de aposta. Um dos jogos citados no livro é Brasil e Gana nas oitavas de 2006. “Não digo que ganeses foram comprados, mas houve algo estranho em torno deste jogo”, disse Hill.

Ele conversou com jogadores de Gana que confirmaram que foram procurados por apostadores. Seu informante do livro teria lhe dito que Gana iria perder por, pelo menos, dois gols de diferença. Gana se atirou pra cima do Brasil jogando com a defesa em linha. Contra os Ronaldos e Adriano isso é suicídio. Foram 3 gols iguais. O segundo e o terceiro gols do Brasil são bastante duvidosos, inclusive.

Barrigadas, barganhas, “bashires” e “bushes” em um dia difícil…

Esta quinta-feira foi enlouquecedora para qualquer pauteiro de temas internacionais. Ainda não ficou claro o que houve, mas amanhecemos com a informação de que a Corte Penal Internacional (ICC) havia expedido mandando de prisão do presidente do Sudão Omar al-Bashir.

A expectativa era de que isso acontecesse neste mês. Entretanto, o que parecia embargar uma decisão dos juízes era o fato de o governo sudanês ter ventilado “à boca pequena”, estrategicamente, que seu relacionamento poderia mudar com a missão da ONU no Darfur (UNAMID) caso o mandado fosse expedido.

Os integrantes da UNAMID já não têm uma vida muito fácil no Darfur. É difíicl imaginar o que significa arriscar a pele em um trabalho humanitário na RD Congo, Gaza e etc. Tão difícil quanto, ou ainda mais (arrisco dizer), é imaginar a dificuldade de oferecer o mínimo para quem é perseguido por uma onda genocida. Nisso incluo tanto os militares ligados à ONU no Darfur, quanto os agentes cuja função é fazer chegar medicamentos, cobertores e mantimentos para refugiados e comunidades que insistem em ficar no inferno.

Acampamento de refugiados do Darfur

Acampamento de refugiados do Darfur

O chefe dos promotores do ICC, o argentino Luis Moreno Ocampo, havia pedido a prisão de Bashir por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade no Darfur. Desde 2003, a ONU estima que o conflito étnico causou mais de 300 mil mortos e 2,2 milhões de refugiados. Os dados ainda são confusos, mas é difícil acreditar na versão de Bashir. Para ele, foram 10 mil mortos.

A questão é que neste momento ocorre uma negociação em Doha, no Catar, entre o governo sudanês e o movimento rebelde Justiça e Igualdade. Uma negociação obviamente bastante delicada. Tão complexa que precisa de uma multidão de mediadores. Integrantes da União Africana, da própria ONU, da China, da Rússa, da Liga dos Países Árabes e por aí vai. O encontro começou na segunda-feira e se tem pouquíssimas informações sobre o seu andamento. Talvez porque muitos correspondentes pensem que se trate de mais um bla, bla, bla. Eu discordo.

Caso alguma fonte oficial tenha realmente falado a verdade para o jornalista que liberou a informação, é impossível perdoar o ICC. Não dá para entender qualquer movimentação do tribunal neste momento. Quem esperou dias desde o pedido de Ocampo vai se manifestar logo agora? Justamente no momento em que as partes resolveram conversar após um ano e meio de pura violência! Não. Morreu gente demais nesta historia e não há margem para uma auto-afirmação, mesmo que seja recheada de boa vontade.

Bashir não é burro. Pode usar o contexto para barganhar com a justiça internacional. Pode ser que surja um dilema bastante duro para a comunidade internacional nos próximos meses – fazer justiça ou fomentar a paz. O que seria melhor neste momento? O mandado de prisão pode prejudicar as negociações. Não será novidade se Bashir condicionar uma eventual trégua a não expedição do mandado pelo ICC. O que vale mais? Levá-lo a julgamento ou a paz? (vote na enquete abaixo)

Melhor seria levá-lo a julgamento...

Melhor seria levá-lo a julgamento...

O fato é que o próprio tribunal desmentiu a informação de expedição do mandado e isso não deixa de ser positivo. Talvez tenha sido uma barrigada das agências internacionais, mas também pode ter sido um recuo estratégico da ONU e do ICC.

Mas eu tenho cá minhas dúvidas com relação a um “engano jornalístico” neste caso. Afinal, trata-se de uma matéria muito relevante para ter sido publicada sem qualquer fundamento. Seria um tiro no pé que marcaria muito negativamente uma carreira. Tem caroço nesse angu, é claro. Alguém deve ter confirmado isso para o jornalista antes da publicação. Não quero ser corporativo, mas é difícil acreditar em tamanha imprudência em um tema tão forte. Porém não ponho a mão no fogo… já vi muita coisa bizarra no jornalismo.

O certo é que em alguma redação deste planeta tem alguém realmente irritado com esta história. Sei que tive uma quinta-feira complicada na chefia da minha redação, mas esse sujeito teve um dia certamente mais difícil. Pior que explicar para o leitor é convencer o chefe.

...ou apostar na paz?

...ou apostar na paz?

————————————————————————————————-

Barrigada é uma gíria da imprensa (talvez apenas da imprensa gaúcha) que quer dizer veicular uma informação errada. É mais comum do que se pensa e, dependendo do objeto da notícia, torna-se embaraçoso e dramático.

Na segunda-feira, um canal sul-africano noticiou a morte de George Walker Bush. Talvez o editor estivesse ansioso. Foram apenas três segundos com a frase “Morre George Bush”. A barrigada virou notícia em todo o Mundo.

Vídeo produzido por estudantes de jornalismo da Emory University nos Estados Unidos.


Protegido: Venha, amiguinho fascínora! Visite-me no Senegal!

Este conteúdo está protegido por senha. Para vê-lo, digite sua senha abaixo: