Arquivo do mês: junho 2019

A meia justiça do quase Brasil

Retornou às redes sociais um texto assinado por alguém que se chama Felipe Fiamenghi, datado de junho de 2016. Nos últimos parágrafos está o seguinte:

“A genialidade de Moro e Dallagnol não tem nada a ver com serem santos, mas com terem vencido os “donos da banca” no jogo deles.”

Venceram, mas na “mão grande”, como se diria nas ruas do Brasil.

A impressão é que foi inoculado nesta semana um novo vírus na rede, que carrega o discurso de que os fins justificam os meios. Mas ganhar na chamada mão grande, desrespeitando as regras do jogo, não é fazer justiça.

Não se pode capturar o discurso da integridade como a Lava Jato fez e desobedecer à lei. Não faz sentido. Quem aceitaria isso? Talvez quem ainda esteja histérico e mais uma vez não consiga enxergar a realidade. Quem está lúcido dificilmente aceita.

O Brasil que eu conheço rejeitaria isso. Mas me mudei do Brasil há 12 anos. De lá para cá surgiu uma nova versão de país, um tal de BR. O BR… bem, este aceita qualquer engodo.

Na verdade, estamos diante de um quase país. Um ente parcial que se vangloria da meia justiça, do meio povo… de preferência um povo “de bem”. Um país pela metade, um BR.

Moro e Dallagnol podem até ter vencido. Mas a #malditaimprensa está mostrando que a glória foi deles não do Brasil, daquele país inteiro.

O BR parcial, divido, que inventa um novo significado para patriotismo, que nega a ciência, a verdade, os direitos, o senso do público e o bom senso… sim, este pode até ter sentido um gosto de vitória. Mas ficou claro que é meia vitória.

Agora, o BR teme ver a obra de Moro e Dallagnol se esfarelar e terá de sair do transe, encarar a realidade, porque, obviamente, tanto o BR, quanto o Brasil, perderam com a imprudência do procurador e do juiz.

Não creio que seja bom para o país se uma ofensiva judiciária de cinco anos com intenso acompanhamento novelesco e diário da mídia, que produziu 122 condenações, de uma hora para outra, for anulada.

Cabe ao BR se perguntar: quem são os culpados por isso? Pelo profundo transe dessa meia nação, ela é capaz de concluir que isso é coisa da esquerda numa conspiração com a #malditaimprensa. Mas espero que não seja o caso dessa vez.

Espero apenas a lucidez de todos, principalmente dos que podem julgar, punir e absolver.

O que resta deste episódio é que não se faz justiça nem se produz heróis na mão grande.

Moro e Dallagnol seriam, sim, geniais se jogassem limpo. Se a condenação fosse acima de qualquer suspeita. Mas não foi.

Agora estes anjos caem pela justiça.

Eu acho que o Brasil ganha com isso. E aquele ente dividido e polarizado chamado BR perde. Será amargo porque afinal isto está vindo com a “mortalização” de dois quase heróis. Mas se trata de justiça. E nenhum povo pode se unir sem justiça.

Quem sabe estejamos diante da deixa que faltava para o BR voltar a ser Brasil? Afinal, uma nação não pode ser parcial. É como a justiça, ela tem de ser inteira para ser justiça. Ninguém quer nem aceita justiça pela metade. Ops… o BR talvez aceite, o Brasil não.

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